Greve dos caminhoneiros: após aumento do diesel caminhoneiros analisam protestos

Óleo diesel ficará 5% mais caro a partir desta terça-feira. Por causa do alto valor, tanqueiros em Minas interromperam os serviços na semana passada

Greve dos caminhoneiros
Fila de carros em um posto de abastecimento, na Cidade Jardim, região Centro-Sul

O quinto aumento do óleo diesel, anunciado hoje pela Petrobras e que entra em vigor a partir desta terça-feira (02), já repercute entre os caminhoneiros e a possibilidade de novos protestos pelo país não é descartada pelas lideranças da categoria. O óleo diesel terá um aumento de 5% – R$ 0,13 por litro – e com o reajuste, o preço para as distribuidoras passará a ser de R$ 2,71 por litro.

“Mais uma vez fomos surpreendidos com o quinto aumento de combustível anunciado pela Petrobras a partir de amanhã. Chegamos a um momento crítico onde a categoria dos trabalhadores do transporte não aguenta mais aumentos dos combustíveis, sem que o Governo nada faça em nosso favor. Chegou o momento de nós, liderança dos caminhoneiros do Brasil, nos unir para que possamos defender a nossa categoria”, disse o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, também conhecido como Chorão.

Ele foi uma das lideranças em destaque durante a greve dos caminheiros em 2018, no governo de Michel Temer. Questionado se pretende organizar uma nova greve dos caminhoneiros, Wallace afirmou que a Abrava precisa conversar com todos os estados para definir o que fazer, mas “sem dúvida a união da categoria fará toda a diferença”, já que existe uma tendência para que ocorra algum tipo de protesto diante dos últimos aumentos consecutivos do óleo diesel. Uma reunião com as lideranças estaduais deverá ser articulada essa semana.

“O impacto do quinto aumento consecutivo dos combustíveis na população brasileira é catastrófico, pois temos um efeito cascata em todos os produtos. Precisamos que o presidente da República dê a devida atenção a esta questão, com medidas efetivas sem mais promessas vazias e sem nenhum cumprimento”, afirmou.

A Associação Brasileira dos Caminhoneiros (ABCAM) – que representa mais de 600 mil caminhoneiros autônomos em todo o país – informou que enviou um ofício ao presidente Jair Bolsonaro, na última sexta-feira (26), manifestando-se contra os sucessivos aumentos dos combustíveis anunciados pela Petrobras e pedindo uma reunião com o Governo Federal para debater o assunto em busca de alternativas para oferecer ao setor de transporte e a população em geral, preços mais justos e compatíveis com o mercado brasileiro.

“Estamos aguardando uma reunião com o presidente. Fazer uma greve agora não vai adiantar nada. Mas, se ele (presidente) não se manifestar e nada acontecer, eu vou mostrar para o pessoal (caminhoneiros) que tentamos dialogar e cabe à categoria tomar a decisão que achar melhor. Agora, se não tiver negociação com o Governo, garanto que em uma semana esse país vai estar parado. Estamos tentando diálogo com o Governo há um ano e estamos sendo empurrados com a barriga”, disse José da Fonseca Lopes, presidente da ABCAM.

Sobre o novo reajuste do diesel, Fonseca disse que se nada for feito para frear esses aumentos, vai chegar a um ponto que nem as transportadoras vão conseguir trabalhar. “Se continuar assim, o frete vai ser mais caro do que qualquer coisa que formos comprar. Vivemos em um país de transporte rodoviário, onde a maioria dos produtos são escoados através da malha viária dos seus estados”.

Em Minas, o presidente do Sindicato das Empresas Transportadoras de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Sindtanque-MG), Irani Gomes, diz que representantes dos tanqueiros de todo o país se reunirão na próxima quinta-feira (4) para debater possíveis ações contra os reajustes de preços praticados pela Petrobras. “Pode acontecer greve nacional, os sindicatos já estão dando sinal de paralisação”, aponta.

A batalha do sindicato é pela redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), cobrada pelo governo do Estado. Mas, a alíquota do ICMS continua a mesma — 15% para o diesel, 16% para o etanol e 31% para a gasolina. O aumento que passa a valer nesta semana é do Preço Médio Ponderado ao Consumidor Final (PMPF), o valor médio dos combustíveis no Estado contabilizado pelo governo de Minas. É sobre ele que as taxas são cobradas, e a nova alta é a oitava consecutiva. O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro) demanda que o cálculo seja congelado durante seis meses.

 

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