Dólar dispara a R$ 5,50 de olho em Bolsonaro e Petrobras

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Petrobras pressiona cotação do dólar nesta segunda-feira (Imagem: Unsplash/@anniespratt)

dólar abriu esta segunda-feira em disparada contra o real, refletindo a cautela dos investidores domésticos depois que o presidente Jair Bolsonaro indicou o general Joaquim de Silva e Luna para assumir os cargos de conselheiro e presidente da Petrobras, em meio a temores de interferência.

Bolsonaro também disse no sábado que vai “meter o dedo na energia elétrica”, e que, “se a imprensa está preocupada com a troca de ontem, na semana que vem teremos mais”.

Às 11:07 (horário de Brasília), o dólar avançava 2,31%, a 5,5069 reais na venda. O dólar futuro de maior liquidez tinha alta de 2,29%, a 5,508 reais.

Na máxima do pregão, a divisa spot saltou 2,78%, a 5,5340 reais na venda, seu maior patamar intradiário desde 6 de novembro de 2020. O real apresentava o pior desempenho contra o dólar entre uma cesta de mais de 30 pares da moeda norte-americana nesta segunda-feira.

Bolsonaro anunciou na sexta-feira que o governo decidiu indicar Silva e Luna para assumir os cargos após o encerramento do mandato do atual CEO da companhia, Roberto Castello Branco.

O anúncio marca o ápice de uma crise entre Castello Branco e o presidente da República, após o executivo da Petrobras ter batido de frente em temas relacionados a preços de combustíveis e caminhoneiros.

Colaborando para a cautela entre os investidores, Bolsonaro ainda disse no sábado que vai “meter o dedo na energia elétrica”, e que, “se a imprensa está preocupada com a troca de ontem, na semana que vem teremos mais”.

“O movimento do presidente levanta dúvidas quanto à possibilidade de interferência política em outras estatais e setores”, disseram analistas da Genial Investimentos em nota a clientes. “Acende sinal vermelho no cenário político doméstico.”

Gustavo Cruz, economista e estrategista da RB Investimentos, explicou à Reuters que muitos investidores enxergam a Petrobras como um dos principais ativos de renda variável do Brasil: “quando tem algum movimento muito forte em cima dela, acaba puxando o índice inteiro, o investidor estrangeiro fica meio desagradado…”

Ainda assim, ele ressaltou que a RB ainda não enxerga uma mudança no cenário base, e que os mercados devem acompanhar as próximas declarações de Bolsonaro.

Os desdobramentos envolvendo a Petrobras vêm num momento de elevadas incertezas fiscais, com os investidores continuando a acompanhar as discussões em torno de mais auxílio emergencial para os vulneráveis afetados pela crise da Covid-19.

Com a dívida pública em patamares recordes, a maioria dos analistas concorda que qualquer renovação de ajuda financeira à população deve vir acompanhada de medidas concretas de corte de gastos, sob o risco de desrespeito ao teto fiscal do governo em 2021.

Enquanto isso, no exterior, outras moedas de países emergentes operavam com quedas acentuadas frente ao dólar nesta manhã, embora a taxas de desvalorização inferiores à do real.

Peso mexicano, lira turca e rand sul-africano, alguns dos principais pares da moeda brasileira, trabalhavam em queda de mais de 1%.

“Mesmo se não houvesse nada de relevante no cenário interno, o dólar provavelmente ainda estaria subindo bastante (contra o real), com os investidores preocupados com os rendimentos dos Treasuries e expectativas de aceleração da inflação nos Estados Unidos”, disse Gustavo Cruz.

Na última sessão, na sexta-feira, a moeda norte-americana à vista registrou queda de 1,04%, a 5,3846 reais na venda.

O Banco Central iniciará nesta segunda-feira rolagem do lote de 11,9 bilhões de dólares em 237.610 contratos de swap cambial tradicional vincendos em abril. Também neste pregão, o BC ofertará até 1,60 bilhão de dólares para rolagem de linhas de moeda com compromisso de recompra que vencem no começo de março.

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